Rosário

 

 

Pede à Mãe que o Filho atende 
 

"Pede à Mãe que o Filho atende!", expressão simples e profunda da fé, da piedade e da devoção do povo de Deus a Virgem Maria

Por Natalino Ueda

O povo de Deus que tem sua fé enraizada na piedade popular e na devoção mariana costuma dizer a respeito da intercessão

de Nossa Senhora: "Pede à Mãe que o Filho atende!" Aqueles fiéis que têm uma fé simples não questionam essa verdade

sobre a intercessão de nossa Mãe Santíssima. O mesmo acontece com as pessoas que vivem a espiritualidade mariana de

uma das escolas aprovadas pela Igreja, como a Confraria do Rosário, a Legião de Maria e a consagração a Maria, segundo

o método do livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort. Entretanto,

muitas pessoas, de dentro e de fora da Igreja, ainda têm muitas dúvidas sobre a necessidade da intercessão da Mãe de Deus

junto ao seu Filho Jesus Cristo. Por isso, seja qual for o grupo do qual façamos parte, devemos nos aprofundar neste tema

importante sobre a intercessão da Mãe da Igreja, para dar razões à nossa fé.

A intercessão da Mãe de Deus é muito discreta, porque a sua presença em nossas vidas é muito discreta, silenciosa, por vezes,

quase imperceptível. A Virgem Maria é nossa Mãe espiritual e, como tal, está sempre atenta às nossas necessidades, ainda

que não percebamos. Foi isso que aconteceu nas Bodas de Caná, quando Jesus realizou Seu primeiro milagre, transformando

água em vinho (cf. Jo 2, 1-11). Nossa Senhora percebeu que o vinho, parte essencial da festa de casamento dos judeus, estava

acabando e disse ao Filho: “Eles já não têm vinho” (Jo 2, 3). O pedido da Mãe apressou a hora de seu Filho (cf. Jo 2, 4), o

início da vida pública de Jesus. Todavia, depois da sua intercessão, Nossa Senhora sai de cena, dizendo aos serventes e a

cada um de nós que devemos obedecer a Jesus: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).

 

 

O Rosário

O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa históriá de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de Luz, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples e humilde, como Maria. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que Sua Mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

É uma oração bíblica. Não só a vida de Cristo, como também as orações que o compõem são bíblicas. A começar pelo Pai‑Nosso, ensinado pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos, quando estes pediram: "Ensinai‑nos a rezar" (Lucas 11).
O Divino Redentor pronunciou as palavras do Pai‑Nosso, indicando‑nos o meio de glorificar a Deus. É claro que Ele não deixará de ouvir‑nos, uma vez que suplicamos com as próprias palavras que Ele nos ensinou.
A Ave‑Maria foi ensinada por Deus Pai, através do anjo Gabriel (Lucas 1,28) e pelo Espírito Santo, através da boca de Isabel (Lucas 1,42).
Sem dúvida, uma das mais belas orações é a Ave‑Maria, composta com a saudação do Arcanjo São Gabriel, "Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo"; com as palavras de Santa Isabel, "Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre"; e com o acréscimo inserido pela Igreja no ano de 429 (Papa Celestino I), "Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém".

Quando rezamos a Ave‑Maria, realizamos hoje a profecia do Magnificat: “Todas as gerações me chamarão de bendita" (Lucas 1,48). Em poucas palavras essa oração encerra as principais grandezas de Nossa Senhora

O Credo é o símbolo dos Apóstolos, composto com os dogmas da Igreja.

O Glória é uma glorificação à Santíssima Trindade.

A Salve-Rainha é uma saudação amorosa que fazemos a mãe de Jesus e nossa Mãe.

São Luís diz que os hereges têm horror à Ave‑Maria. Eles podem até aprender a recitar o Pai‑Nosso, mas nunca a Ave‑Maria: " Prefeririam carregar sobre si uma serpente antes que um rosário”.

Não há graças que Deus não nos possa alcançar por meio de Maria a quem peça por meio do Rosário. No entanto é bom lembrar que devemos nos preparar para alcançar as graças que tanto pedimos.

Disse o Papa Pio X: “O Rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações e interventor de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe Deus. Rezai‑o todos os dias".

João Paulo II: "O Rosário, lentamente recitado e meditado em família, em comunidade ou pessoalmente, vos fará, penetrar pouco a pouco nos sentimentos de Jesus Cristo e de sua Mãe, evocando todos os acontecimentos que são a chave de nossa salvação".

 

 

Necessidade de meditar o Rosário

 

1 - Meditar é a mesma coisa que pensar com o afeto da vontade na verdade e no bem que encerram os Mistérios do Rosário. Aqui meditar é a mesma coisa que contemplar, embora o significado destas duas palavras, em si, seja um pouco diferente. Meditar exige que nós nos esforcemos por pensar e conhecer qualquer coisa discorrendo ou refletindo sobre ela. Porém, contemplar é pensar e conhecer por intuição ou simples olhar da - nossa inteligência mas sem discorrer ou refletir.

2 - Com efeito, a verdade e o bem são-nos necessários, pois são o objeto da nossa inteligência e da nossa vontade, cuja tendência é possuí-los e gozá-los. De nada aproveitam, se não os conhecemos, se não pensamos ou meditamos neles. Todos os cristãos recebem no dia do seu Batismo a luz e o dom da fé. Mas quantos infelizmente, sem deixarem de crer, vivem como se não tivessem a fé que para eles é morta. Acreditam nas verdades religiosas, mas não as vivem, não as põem em prática, não fazem delas caminho para a vida eterna. De pouco vale acreditar nessas verdades que a fé nos apresenta envolvidas em véus sem a meditação dessas verdades.

O Rosário, é, em primeiro lugar, oração vocal e deve ser, acima de tudo, oração de meditação que nos leva a penetrar os Mistérios que a fé nos propõe para crer.

3 - A meditação não pode rasgar, por si, os véus em que a fé nos apresenta as verdades da nossa religião. O homem, pela fé, está em presença dos grandes Mistérios divinos que jorram da fonte infinita da verdade, do bem e da vida, que é Deus. Essa fonte é, portanto, a Divindade-Deus uno na Trindade de Pessoas que se aproximam de nós por Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem. Como Jesus dizia, a vida eterna consiste em conhecê-Lo a Ele e, por meio dEle, conhecer a Deus Pai. Enquanto estamos no mundo, de passagem para a eternidade, não podemos ter a visão da glória do Céu, onde a nossa alma verá satisfeita todas as suas aspirações de Luz, de Bem, de Vida e Felicidade.
As insondáveis riquezas de Deus estão encerradas em Jesus, Deus Humanado, cuja vida neste mundo, sem deixar de ser divina, foi humana como a nossa, mas toda cheia de Deus. O Rosário, que é oração de meditação, leva-nos a copiar e a viver essa vida de Jesus, tornando a nossa divina como a dEle. O Rosário contém, através dos seus 20 Mistérios, o Livro da Vida que é Jesus Cristo. Com razão S. Luis Grignon de Montfort, grande apóstolo do Rosário, escreveu que o Rosário «divide a vida de Jesus e a de Maria em 20 Mistérios, que nos representam as suas virtudes e ações como em 20 quadros, cujos traços devem servir-nos de regra e exemplo para a orientação da nossa vida. São 20 archotes a guiar-nos neste mundo, 20 focos brilhantes para nos conhecermos a nós mesmos e para atear o fogo do seu amor em nossos corações, 20 fogueiras para nos consumirem completamente em suas chamas. (Cf. O Segredo admirável, 3ª dezena)

4 - Os frutos desta vivência são todos os que são próprios do Rosário, como veremos noutra ocasião. Porque a meditação, como já se disse, é a parte mais importante na sua recitação. Porque as vidas de Jesus e de Maria estão 'intimamente associadas, ao meditar os seus Mistérios, aparece-nos neles a graça de Jesus, que nos é dada por Maria. A fé e o amor que abrasam a alma nessa meditação são eficazes para determinarem a influência divinizadora de Jesus e de Maria e levam-nos a um maior conhecimento e amor divinos: acrescentam em nós essa vida divina.

Quem medita bem o Rosário, recebe como diz S. Tomás, o efeito principal da meditação, isto é, a graça da devoção que é a vontade e o afeto com que servimos a Deus, como resultado natural da consideração da verdade e do bem divinos que se encerram nos Mistérios do Rosário.