Origem da Salve Rainha

24/06/2013 21:34

 

“Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve!

A vós bradamos, os degredados filhos de Eva;

A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei;

e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,

ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”.

No século XI, vivia num mosteiro, perto do lago de Constança, Suíça, o

monge Germano Contractus. Paralítico desde seu nascimento (18.7.1013), aos

sete anos foi confiado pelos pais aos monges do Mosteiro de São Galo para ser

instruído nas ciências e nas artes. Tempos depois foi admitido como monge no

próprio mosteiro e ficou famoso como astrônomo, físico, matemático, teólogo,

poeta e músico. Sua vida foi marcada pelo sofrimento, a ponto de escrever:

“De três modos pode-se sofrer: estando inocente, como Nosso Senhor na

cruz; estando-se culpado, como o bom ladrão; e para fazer penitência. Eu quero

carregar minha cruz para satisfazer por meus pecados e pelos pecados dos

outros. É este o meio mais seguro de se chegar à glória do céu. Mas, sinto-me

muito fraco. O demônio quer fazer-me vacilar. Mãe do céu, ajudai-me, para

que, como vós, eu não murmure e não me queixe, mas reconheça no sofrimento

uma prova do amor de Deus.”

Dia 15 de novembro de 1049, sofrendo de modo especial, rezou em sua

cela, diante de um quadro de Nossa Senhora, por quem tinha uma devoção

especial. Em seu coração, nasceu a prece: “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,

vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de

Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas”.

Pouco depois, entrou em sua cela o irmão enfermeiro. Germano

manifestou-lhe o desejo de ir à capela, dedicada a Nossa Senhora. Ali,

continuou sua meditação e prece. Rezou: “Eia, pois, advogada nossa, esses

vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e, depois deste desterro, mostrai-nos

Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce Maria!”

A expressão “sempre virgem” – “ó doce sempre Virgem Maria” – foi

acrescentada mais tarde.

A partir daí, multidões de fiéis passaram a rezar essa oração, que se

tornou uma das mais populares preces marianas. Mereceu até um belíssimo livro,

Glórias de Maria, de Santo Afonso de Ligório, bispo, fundador da Congregação

Redentorista e doutor da Igreja.